terça-feira, 23 de março de 2010

Balada do amor inabalável?

Faz um tempinho, bateram aqui em casa Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e o Príncipe Encantando. Tomaram uma Coca light, pediram desculpas e avisaram que não existem. Deus mandou avisar que não veio por que sabia que eu iria ironizar sobres Adão, Eva e também querer explicações sobre as criançinhas na África. O Príncipe Encantado foi o último a ir embora, perguntei o que aconteceu com Cinderela e Branca de Neve? Um pouco sentido ele diz que se transformaram nisso aí que vocês desfilam em perfil online, são de todo mundo e de ninguém e foram fazer terapia.

Uma vez livre das fantásticas criaturas da ilusão ficou mais fácil seguir sem colocar todas as expectativas do mundo em um sábado à noite, deixar a vida me levar como embala o samba, preferir mais gargalhadas a compromissos. E assim desaprendi a falar sério, a olhar no olho e amar. Ganhei estrelinhas quando entendi que se ele não ligar, tudo bem.

A próxima fase complicou um pouco, depois de ouvir confissões de estranhos, a fidelidade me parece conto e sendo assim o amor não dura para sempre e se não dura para sempre não é amor?(Isso foi uma pergunta, fique a vontade para me provar o contrário.) Sem drama. Sem histórias subentendidas ou grandes cenas. Você simplesmente vê com clareza o que todo mundo esconde desesperadamente. Apesar de estar digitando um pouco agressiva nesse momento, e mal dizer qualquer coisa, perfumei-me de ceticismo e fui para o próximo nível.

Quando você está em casa e surge aquela vontade de comer um docinho, você vasculha armários, corações, faz chantagem com a esperança e não há um bombom perdido na bolsa. Uma compulsiva ansiosa poderia comer uma colher de mel, é gostoso, confortável e vai te deixar com sorriso no rosto. Mas é errado e calórico, seria como se apaixonar por um cara casado ou que não goste dos Beatles. Desculpa a acidez, deve ser a gastrite. Desculpa aos recém-casados, as pré-adolescentes e seus caderninhos cheios de corações e aos depoimentos de amor eterno no Orkut. Essa minha maldita racionalidade estraga prazeres.

Isso tudo foi ontem...

Porque hoje pela manhã um senhorzinho que nunca saberei o nome, sentou ao meu lado no ônibus, normalmente o iPod me impediria do contato humano, mas ele não estava na bolsa. Um carioca elegante como poucos, com seus oitenta anos, de terno alinhado como quem vai para o primeiro dia de trabalho. Começou reclamando do ar condicionado, depois dos motoristas de hoje em dia. E aproveitando-se do meu bom humor, apesar de ter dormido as três da manha, fez o que nós ainda vamos fazer um dia; Contar da sua época. Em um impulso adolescente tirou da sua pastinha uma foto ampliada, antiga e a mulher parecia mais amada e feliz do que bonita. Era o amor da sua vida, ele só se referia a ela assim. E contou que eles conheceram-se no centro da cidade, do namoro na varanda e pouco tempo depois o casamento. De como eles foram felizes na casa de Ipanema, das viagens de avião quando ainda era uma grande aventura cruzar o atlântico. Mas aconselhou que o importante mesmo é um bom beijo de boa noite. Há dez anos o boa noite acabou. Câncer. Mas o retrato dela vai para onde ele for.
Hoje de manha eu perdi meu iPod, mas encontrei o amor eterno.

Eu avisei que não sei escrever sobre amor, são cento e dez textos nesta casa e nada do amor romântico. Como Ricardo Darín em o El secreto de sus ojos vivo confundindo temor com amor. E fico covarde paralisada olhando pela janela do trem e do avião... Digo isso com uma dorzinha no peito, será que vou perder alguma estrelinha? Pode trocar por coraçãozinho cafona?

Tantos parágrafos... Eu só queria agradecer as palavras mais lindas que eu já li e escutei, dizer que eu sou feliz antes da bateria acabar e que você vai lembrar de mim no meio do dia e eu vou ser seu passatempo preferido.

Quem sabe daqui uns sessenta anos eu não ande por aí com um retrato na bolsa.

14 comentários:

Karol Gonçalves disse...

Putz! Ficou enorme, em tempos de twitter, ninguém vai ler isso!

Ganha estrelinha e coraçãozinho cafona quem ler tudo e comentar!

Valendo...

Suzana Z. disse...

hahahahaha Eu sou cafona e adoro um bombom ou uma colher de Toddy escondido no armário.
Mas escrever de amor é mais fácil do que viver né? Acho q isso realmente ficou p/ trás...
bjoks

Aline Damasceno disse...

Gostei...nem sei dizer como me senti lendo isso,lembrei muito dos meus avos...

Que um AVC levou minha vó e foi enterrada no dia em q completavam anos de casados...bem triste!

Beijos bela Karol!

juliana disse...

Em tempos de twitter (@86jujubas) li o texto inteiro sim, um dos melhores que ando lendo nos últimos tempos. Me fez repensar o amor, o tal do amor. Como ele é difícil né.

Beijos bela Karol

Cla Benvindo disse...

Nesse meu momento tpm + inferno astral, só posso te dizer uma coisa: é isso que eu quero pra mim... Prazer, meu nome é Clarissa e eu tenho coraçãozinho cafona (mas só o coração!)

Mario. disse...

8º elemento se apresentando!

Layz Costa disse...

Lindo, lindo! *.*
Uma delícia de ler, a vida é assim - feita de passagens.
Muito obrigada pela visita, pelo comentário, volta sempre lá e sinta-se à vontade.
:*

Laura disse...

karol....
AMEI!

simples assim!

Jéssica, a antropofágica disse...

Ah, se tu não sabes falar de amor, então coitadinha de mim.
Foi lindo. Também quero meu retratinho na bolsaaa! =)
Beijos

uauradical disse...

eu tbm quero ganhar!
li o texto todo sim! e adorei!

Ritinha disse...

Li o texto todo! :)
Adorei muito..nossa muito legal!

Parabéns, de verdade! =D

*Estou divulgando loucamente...^^

Flávia Guilherme disse...

Obrigada pela visita!

Juliana Leite disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

seus textos estão me tornando um pouco mais sensível (gay?)... rs

não vou dizer q não gosto disso