terça-feira, 3 de agosto de 2010

2 dias em Paris

Em Casablanca, Humphrey Bogart e Ingrid Bergman terão para sempre Paris! Carrie e Mr. Big enfim se renderam ao amor em uma das belas pontes da cidade luz. Em “Paris, Eu Te Amo” casais apaixonados trocam beijos em uma estação de metrô e tapas na outra. Pela ficção todo mundo já viu la Tour Eiffel, é uma cidade cenário como NY ou Rio de Janeiro. Porém estar e sentir a capital francesa vai entrar para a galeria dos melhores momentos da sua vida, garanto! “Quem se cansa de Paris, está morto!” Disse alguém... Porque uma vida não basta para tanto croissant, vinho, obras de arte, compras, jardins, queijos e biquinhos ao falar. Amigos a caminho da minha Paris (que agora divido com vocês) pedem roteiros e dicas de como ser na cidade de Edith Piaf.


Coloque seu melhor casual-chic, estamos falando da capital da moda e transforme- se em um legítimo flaneur, ande sem rumo, mas pare e viva com calma tudo que lhe saltar os olhos. Na avenida mais linda do mundo, claro que falo do Champs-Elysées, existem quatro estações de metrô. Economize seus euros e ande. Um ótimo ponto de partida é a Place de la Concorde, linhas de metrô M1, M8, M12, vá caminhando entre árvores, Mercedes e lojas de luxo. Duas coisas farão você ter certeza que está na avenida mais poderosa do mundo: japoneses carregando sacolas da Louis Vuitton como quem carrega bolsas das Sendas e o imponente Arco do Triunfo de Napoleão, contando todas as suas batalhas em um alto relevo perfeito.


Existe uma instituição francesa comestível e são les macarons. Os doces preferidos da Marie Antoinette são disquinhos crocantes por fora e macios por dentro, e pouquíssimos chefes mundo afora conseguem preparar com perfeição. Então, o número 75 da Avenue des Champs Elysées é um pedacinho do paraíso. Estou falando da tradicional Pâtisserie Ladurée, são mais de 30 sabores... Eu ordeno que experimentem o de café, vanille e pistache.


Paris pode até ser a cidade do amor e dos casais em lua de mel, mas os últimos dados do turismo mundial informam que estamos falando do primeiro destino para turistas consumistas, essa gente estranha que viaja para comprar. São 30 lojas por 1000 habitantes, quebre os cartões de crédito ou então relaxe e nunca converta euro para real! Nunca! Agora é pegar a linha M9 ou a M3 e voilá você está no Boulevard Haussmann. Recomendo descer na estação Havre–Caumartin, onde lojas são quarteirões, vitrines pontos turísticos e turistas japoneses enlouquecidos. Para o fast fashion de enlouquecer e baratinho, HM! Para um jeans básico e malhas coloridas e cheias de tecnologia, Uniqlo. Para tudo, de comida a souvenir, Galeries Lafayette. E para Chanel, Dior, Christian Louboutin, Lanvin e toda a alta costura em um só lugar, Printemps!


O charme e elegância dos parisienses estão em equilibrar alta costura com lojas de departamento e peças únicas de brechós. Mas ser habitué do vintage é uma arte que requer paciência, carinho ao retrô, desapego e um certo dom para o garimpo entre araras. Só o bairro mais charmoso poderia concentrar os melhores brechós de Paris... Le Marais! Surpresa! Aqui você vai encontrar parisienses fazendo feira, lendo nas praças... Chegue ao bairro moderninho pelo metrô Hotel de Ville.
A Rue de La Verrerie c'est super! O Free P Star fica no número 61 e lá você pode esbarrar com a top Kate Moss garimpando em seu brechó favorito um casaco de paetês. A minha vintage boutique preferida é a Frip'irium que fica no numéro deux. São bolsas dos anos 50, jaquetas de couro, blazers, lenços de seda... Tudo limpo e organizado!
Não deixe le quartier du Marais sem almoçar no restaurante Le Loir dans la Théière, lugar aconchegante daqueles que só os moradores do bairro conhecem onde você encontra tortas, quiches e saladas deliciosas.


Antes de fotografar loucamente a histórica Catedral de Notre Dame se encante com a charmosa e linda Ile St. Louis. É uma ilha no meio do Sena cercada por Paris de todos os lados. São oito ruas e quatro quais, sem estação própria de metrô. Por isso muitos turistas passam batidos deixando as ruelas e bistrôs tranqüilos. Caminhe tomando o tradicional sorvete da Maison Berthillon enquanto procura a casa onde morava Camille Claudel e Baudelaire. O metrô mais próximo é a estação Pont Marie.


Para os amantes da literatura só um endereço importa a margem esquerda do Sena, falo da Shakespeare and Company. Das várias livrarias espalhadas pela cidade essa é que vai te emocionar com uma atmosfera única. Esquece o estilo Fnac de vender. A livraria de língua inglesa é um caos! Paredes cobertas de livros, revistas amontoadas e relíquias empoeiradas. Uma mistura de sebo com lançamentos e leituras dos escritores mais modernos da Europa. Como não ficar emocionada ao comprar um Ernest Hemingway onde o mesmo junto a James Joyce freqüentava?! A Shakespeare and Co. foi o quartel general da geração perdida. Um templo, para mim, mais interessante que a Notre Dame, sua vizinha.


O espanhol Pablo Picasso tem seu principal museu em Paris. O museu Van Gogh em Amsterdam decepciona. As principais obras do holandês estão no Musée d'Orsay, que tem uma galeria impressionista que fazem a vida valer a pena. O russo Chagall é figurinha fácil no Centre Pompidou. O Louvre é o Louvre, Leonardo Da Vinci faz as honras da casa. Mas dê uma desviada pelas alas das esculturas gregas! Inesquecível a perfeição e leveza da Vênus de Milo e da Vitória de Samotrácia... E por último, porém talvez o mais emocionante o Musée de l'Orangerie, leia-se, Monet e suas nymphéas explicando em cores e traços porque é o tão bom.


O Musée de l'Orangerie fica no cantinho esquerdo do Jardin des Tuileries. Metrô Tuileries, linha M1. O jardim é colado ao Louvre, fica no centro da cidade e por isso faça neve, chuva ou sol está sempre cheio. De um lado La Seine e de outro a Rue de Rivoli, onde você vai achar as melhores lojinhas de souvenir e também muitos brasileiros de férias. Certeza que se escuta mais português por ali do que em Santa Teresa.
Termine seu dia no 1er arrondissement indo a loja do novaiorquino mais amado de Paris, Marc Jacobs. Na Place du Marché Saint Honoré há uma cantinho com 3 lojas Marc by Marc Jacobs: uma feminina, outra masculina e uma só pour les enfants. Na loja para a mulherada fashionista há uma terceira linha de produtos que eu chamo a Feirinha do Marc, são chaveiros por cinco euros, bolsas de 20, camisetas por 30, guarda-chuvas com estampas exclusivas... E é aqui que vocês vão comprar meu presentinho. 19 Place du Marché Saint-Honoré. Merci!


Se existe um lugar em Paris superestimado, seu nome é Moulin Rouge. O famoso cabaré, nada mais é que um cata-vento vermelho cercado por puteiros e divertidíssimas lojas de sex shop no Boulevard de Clichy. Mas se você estiver a fim de gastar alguns euros, assista ao show das moças francesas e depois me conta. E a decepção acaba aqui. Porque o bairro de Montmartre é uma festa! Chegue pelo Metrô Anvers, linha M1 e suba todas as escadas possíveis, tire fotos nas praças escondidas com seus parquinhos lúdicos e só pare quando cruzar com a Basilique du Sacré-Cœur. A mais linda de toda a Europa. Com sorte você vai esbarra com orquestras tocando nas escadarias da basílica. Sente e observe Paris de um dos pontos mais altos da cidade.


Então… A cidade não fede e ponto final. Uma Coca-Cola pode custar três euros, mas um Kinder Bueno custa oitenta centavos! Ignore as ciganas nos pontos turísticos. Cuidado com a carteira! O passeio de ônibus vale a pena para quem vai ficar na cidade por poucos dias. Franceses são adoráveis rabugentos, mas não mordem. Aprenda de uma vez por todas a comer queijos e a tomar vinhos. E ame o mapa do metrô acima de todas as coisas!


Est-ce que c'est fini? Claro que não! Está faltando ela, aquela estrutura de aço, criação do Monsieur Eiffel para a Exposição Mundial de 1889. A hipnotizante e encantadora Torre Eiffel, quiçá o ponto turístico mais fotografado do mundo. Estamos no 16º arrondissement, a região mais clássica da cidade, onde les chien andam com colerinhas Goyard e a riqueza é muito natural. Como um casal apaixonado, a primeira vista é importante sim! Sempre! E só o horizonte da Place du Trocadero vai te encantar como deve ser o primeiro olhar para o Champs de Mars. Metrô Trocadero.


Seguindo para as filas e o desejo subir ao céu de Paris, você passa por lindos chafarizes. Faça seu piquenique ali. Compre na Boulangerie mais próxima: um pote de Nutella, um vinho rosé da Provence e duas baguetes! E voilà, uma pausa na correria de turista para uma vida tendo a torre como cenário.


Ainda falta entender que os jardins de estilo inglês são melhores do que os franceses, basta ir ao Jardin du Luxembourg para observar isso. Falta todo o Quartier Latin,o Grand Palais, a Pont Alexandre III, o Musée Rodin. Não podemos esquecer o melhor chocolate quente do mundo no Café de Flore e cruzar o Boulevard Saint-Germain, a Place des Vosges,... Como disse, uma vida não basta, porém qualquer minuto sobre Paris c'est fantastique! Agora vai viver seu fabuleux déstin e me conta tudo depois.

8 comentários:

Juliana Leite disse...

depois desse guia, eu acho q não fui a paris!
perdi mt coisa! :((
mas foi óóótemo viajar com suas palavras mademoselle!

um dia eu volto...aff!rs

Anônimo disse...

Depois dessas dicas preciso voltar à Paris com você ,para ser minha guia.
Concordo com Juliana acho que não fui a Paris.

Karol Gonçalves disse...

Anônimo, estamos aí! Só comprar as passagens!
Faço minha mala 3 em minutos!

Ju Antony disse...

Salut ma belle,
Estou mais do que emocionada, Karrol!
3 de Setembro a senhorita estara embarcando comigo?
Nesses ultimos 2 anos na cidade luz nao consegui enxerga-la com seus olhos! Aide moi...
Gros bisous

Suzana Z. disse...

Ah... como é merveilleux o jeito que você escreve. Juro que se fosse pão dura, ficava por aqui mesmo en train de lire toda a sua rota! Mas sou invejosa e Paris me espera. Deu p/ sentir daqui o gosto dos Macarons et j´ai prefère de Pistache! rs
Mesmo com todo esse guia, não deu p/ sentir todas as escadas e l´imposante librairie!!
Faço das suas palavras as minhas: Quem se cansa de Paris, está morto!” Disse alguém... Porque uma vida não basta para tanto croissant, vinho, obras de arte, compras, jardins, queijos e biquinhos ao falar..." Enfim, a próxima primavera me espera... Mas até lá, ainda quero ouvir muito de vc sobre Paris! A tout a l´heure!

Layz Costa disse...

Ai meu Deus, suspirei. *.*
Quando eu for à Paris me lembrarei de reler essa postagem.
hahaha
beijo!
=*

Janaína disse...

Aiiiiii..... morri de saudade de vc e dos meus primeiros meses em Paris!!! Isso nao se faz... Ta demais!! So te digo uma coisa: descobri ha pouco que nao sao japoneses. Pasme: sao chineses!!!! E qdo é época de solde, entao, dizem q eles fazem um verdadeiro "rapa"! E nao é na HM nao, é na Louis Vitton... É como eu te dizia ja ha tempos: eles vao dominar o mundo!!!
A cidade eu nao sei, mas os franceses nao sao todos cheirosinhos nao!! Experimenta o nosso amigo RER B em julho! As vezes eu achava q nao ia conseguir chegar em Chatelet!!
De resto, depois vc precisa fazer uma cronica un petit plus Quartier Latin, oras!!! E minha Mouffetard?!
Muita saudade da Paris que vi contigo!!
Bjs
(Nao sei se essa porra vai dizer q eu sou "Anonimo", entao, como nao quero ser anonimo, Bjs da JANA)

Taty disse...

Sallut Karol

estive em julho em Paris e seu texto reflete bem o que vivi. Me recordei de muitas coisas que vi e fiz...e fiquei com vontade de ver o que faltou..rs.

Paris é imensa e realmente é impossível ver tudo. Mas cada momento lá é inesquecível.

Agora o que não gostei em Paris foi a comida! Vc tb sentiu esse problema?