Para começar, não me entenda mal, eu não sei escrever. Muito menos sobre o viver, amar, talvez sobre medo e algumas neuroses. Isso aqui é só um texto de fundo de gaveta na primeira pessoa. E não espalha por aí, mas escrever na primeira pessoa é péssimo.
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Era uma vez, em subúrbio distante... Eu sempre matava aula para passar o dia inteiro com minha avó. Eu e ela, a casa era nossa, aquele era o nosso mundo favorito. Comentando jornais locais e fazendo panetones. Podia ser julho, ela fazia panetones com pedacinhos de chocolates. Eu nunca gostei, mas era delicioso ver sua alegria preparando o quitute natalino, faltando meses para o nascimento de Jesus. Quando se passa o dia inteiro em casa dividindo banalidades com quem temos carinho, passa rápido. Minha avó colocava a mão na cintura enquanto recolhia a roupa do varal e exclamava aflita: ‘Olha, Karol! O dia já acabou e nem percebemos!’ E eu distraída com as últimas pipas no céu dizia: ‘Calma, vó. Amanhã tem outro. ’
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O viver e o amar são isso. O anoitecer que chega distraído e sem grandes preparações, sorríamos com a pressa do tempo e íamos tomar café.
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Ontem, lá estava em um dos meus programas preferidos, que é ir ao supermercado, escolhendo vinhos, chocolates e alface. Como deve ser a dieta apropriada para uma mocinha do meu tipo. E me deparo com panetones! Já é Natal, anoiteceu e não percebi. Não assisti ao filme da Julia Roberts, uma vez que não pratico nenhum dos verbos do título. Ainda não voltei à roda de samba preferida, desde que cheguei da Europa. Também não tenho ligado o suficiente para os meus amigos. Ando perdendo um precioso tempo no trânsito e com alguns rapazes.
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Hoje chorei lendo o jornal. Um hospital de Pernambuco criou para seus pacientes terminais uma ‘Caixa de Desejos’. O personagem da matéria, Renato de 26 anos desejou casar-se com sua namorada. Em 3 dias preparam tudo! Bolo, vestido de noiva, terno... Casaram-se no civil e religioso. Na fotografia, apesar dos tubos, a alegria no olhar vale mais que muita morfina, afirmam alguns médicos. Na última sexta seu corpo foi sepultado, seus familiares estavam em paz, e Renato conseguiu doar alguns órgãos que não estavam tomados pelo câncer.
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Além de constatar que choro lendo jornal, que chorei ao não comprar o ingresso para o show do Paul McCartney, e me ocorrem lágrimas quando o aleatório toca pela terceira vez um certo Caetano e quando penso que você nunca vai entender a crônica que te escrevi.
Está decidido que não há mais tempo nessa vida para joguinhos, mentiras óbvias, leviandade com o coração alheio, prometer e não cumprir, deixar para mais tarde. Não há mais espaço para acostumar-se com que dói.
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É como eu sempre digo, um panetone e uma matéria de jornal podem mudar perspectivas.

14 comentários:
Tb acho q não dá mais para se acostumar com o que dói... já caindo no lugar comum, a vida é muito curta para perdermos tempo sem ser feliz!!! A propósito Te Amo, em todas as minhas vidas.
Você me fez chorar... Chorar de compreensâo.. tipo: eu sei o que vc tá falando! eu sinto o que você tá falando!"
"Não dá mais tempo pra acostumar com o que dói"
É A MELHOR FRASE!!!!
AMEI!
E, as vovós sendo eternas nas nossas vidas! voilá!
Lê o meu...
Beijos!!!
Amei...
e me emocionei na parte da vo,momentos mais q especias estar c essas pessoas!
e a melhor parte ate copiei e colei no face...
Parabens Karol!!
Sucesso sempre!!
Saudades!!
bjusss
Karol, ADORO ler seus textos e fico esperando ansiosamente para cada new post seu! Sinto que vc consegue decifrar parte dos meus sentimentos e quero te parabenizar pelas palavras tão bem desenhadas. Sucesso!
Claro que chorei lendo o texto,mas ele me passou um a coisa tão boa de saudade...
Acostumar com a dor nunca,viemos ao mundo para sermos felizes sempre.
Parabéns!!!!! Um dos mais lindos textos .
Amo panetone e mao seus textos tb...
Tb choro lendo e com umas cartinhas de crinças que nunca vão ser respondidas pelo papai noel...
O convite da roda de samba está feito!
Perspectivas sempre...
Bjoks
Sú
Chorando ainda...a melhor msg para meu niver amanhã: "Está decidido que não há mais tempo nessa vida para joguinhos, mentiras óbvias, leviandade com o coração alheio, prometer e não cumprir, deixar para mais tarde. Não há mais espaço para acostumar-se com que dói". Bj grande...
se eu fosse tão boa com as palavras como você e conseguisse explicar o que sinto seria mais ou menos isso. obrigada, karol.
beijo.
Cada dia melhor, KarolKaroline!
Parabéns!
Siiiiim! e vc CHO-ROOOOU!
eu espero que tenha sido de verdade e não mais uma licença poética ou ficção científica!
Realmente "Não há mais espaço para acostumar-se com que dói" e ainda e ficar indiferente a ela!
tb li essa reportagem no domingo passado!
ah, e, as vovós sendo eternas nas nossas vidas![2]
Eu simplismente me vi na frase nao da mais pra se acostumar com oke doi!!!! adoroooo seus textosss e em primeira pessoa é muito mais legal!!
Uau!
Engraçado como sao as coisas né? De vez em quando eu me deparo com um post seu no Twitter que sempre me leva ao seu blog. CARA, vc é o CARA!!! (Rs)
ADORO os seus posts, cronicas ou o que quer que sejam! Sao OTIMOS! Esse que eu acabei de ler, deu uma iluminada aqui na minha cabeça! Risos! OBRIGADA!
Um beijo enorme da sua ex-teacher!
Pôxa, que lindo isso.
:,)
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