sexta-feira, 1 de abril de 2011

Disritmia



Esse é último capítulo, o fim da história da moça e do rapaz. Últimos capítulos podem ser chatos ou salvar vidas. Será que o casal vira livro de cabeceira? Ou as conversas confusas serão vendidas em algum sebo por 2 reais?

Os Beatles cantaram que no fim, o amor que a gente ganha é igual ao que a gente sente. A capa do livro que a executiva lia no metrô decretava que “O único final feliz para uma história de amor é um acidente”. A geração MSN alterna entre: “você é minha vida” ou “você gosta demais de mim”. Paulo Mendes Campos explicou que o amor acaba, talvez entre um coração dependente passando por um café frio chegando a irritação eterna.

E a história do sábio par que começou a namorar no primeiro dia de abril, mas ser esperto e tranquilo não convencem o amor a ficar. A cada dia da mentira após o fim, é como se nunca tivesse acontecido. É complicado, todo ponto final quer ser reticências, deixando essa vontade de algo que ainda não foi vivido completamente, as possibilidades que não passarão de invenção, o filho que não nascerá, o show perfeito para vocês irem juntos...  

Tem mulher que nunca mais atende o tal número que antes liberava adrenalina. Love will tear us apart, baby. Tem cara que termina por email. Há casal que nunca termina, apesar de saber que devia. “Todo carnaval tem seu fim” cantavam equivocadamente os Hermanos. Porque todo carnaval tem o ano que vem e a próxima roda de samba. Outro beijo perfeito pra você anda por aí distraído com algum copo de cerveja e a sensação de orgulho ao perceber que alguém tão incrível te ama vai acontecer de novo.  

Mas para dar o próximo passo vamos observar como se mata um quase amor:

[...]

- Oi. Está dormindo?
- Que horas são? Aconteceu alguma coisa?
- Bebi aquela garrafa de cerveja que você comprou pra mim em Budapeste. 
  E decidi que seu amiguinho não vai dá pra ser. Ou amantes ou nada.
- Porra, Henrique! São quatro da manhã!
- Isso. E você é essa carioca linda, incrível, independente...
  Como são as cariocas e as mulheres que eu tenho medo de amar.
- As mulheres? Plural? Amantes? Será que a cerveja estava estragada?
- A mulher que eu tenho medo de amar. Singular. Você, idiota!
- Medo? Eu só sou a mocinha mais solitária que já segurou uma taça de vinho. 
  Tantas conversas, tantos emails trocados...
  Você sabe de todos os meus fracassos amorosos. 
  Já deveria estar macetiado em mim.
- É sério. Para de fazer piada.
- Falando sério... 
  Acho que todo aquele frio que passei na Hungria valeu a pena. De verdade. 
  Essa iluminação que você teve... Está certíssimo.  
  Completamente apaixonados um pelo outro ou nada.
- Que merda, Luisa! É a briga entre o quase amor e o medo puro. 
  O amor está perdendo no melhor estilo Vitor Belfor para o Anderson Silva.
- Com um lindo chute no rosto. Pobre Vitor, pobre amor.
- Mas nós duramos mais que os 3 minutos daquela luta.
- Sabia que o solo de Machu Picchu se move um centímetro por mês em   
  direção ao abismo. 
  Vai sumir!  A cidade inteira anda, enquanto nós nunca saímos do lugar. 
  Nós dois, os maníacos compulsivos pelo futuro do pretérito.
- A gente se amaria de verdade? Daria certo por quanto tempo? 
  Haveria alegria além dos 90 minutos? Eu sempre me pergunto isso. 
  Você não?
- Eu teria passado o resto da vida fingindo gostar do seu péssimo gosto para 
  filmes, baby.
- Acho que deixaria você colocar o nome do nosso filho de Chico, meu amor.
- Sem “meu amor”, por favor. 
  Porque se vamos falar sério, as quatro da madrugada. 
  Seria bom parar com as mentiras e os vícios de linguagem usados para levar 
  alguém pra cama. 
- Não fala comigo como se eu não fosse o único aqui a te ligar e te procurar. 
  Como se eu não tivesse lutado por você.
- Não lutou e tudo bem. 
  Esse tipo de coisa não se pede, como a dedicatória de um livro.  
  A primeira página pode estar cheia de afeto e intimidade ou não.
- Gosto de você até quando fracassa na personagem de menor abandonada.
- Percebeu? Está indo...  Está acabando.
- Não posso mais te ligar? E no MSN a gente ainda pode conversar?
- Se você sentir saudade...
  Não adianta mensagem de texto, email ou escrever no mural do Facebook. 
  Se você realmente sentir falta de mim, faz tudo diferente e a gente toma 
  aquele chope.  
  Se cuida, Henrique.
- Luisa!
- Beijo!


[Fim]

9 comentários:

Camilinha disse...

Nossa adorei a historia!

"Nem no msn?"
hahahaha

Valorizo bastante a escritora... no dia da primeira noite de autografos estarei la, sendo a primeira da fila.


Bjs!

Aninha disse...

Não me conformo!

Priscilla disse...

Ficou perfeita a novelinha... Tradução de muitos relacionamentos por aí... Parabéns Linda!!!

Ansiosa já pelos próximos textos...

Mario disse...

Mas geralmente os roteiros tem mais de um final,nada nas mangas, caríssima?

Nayanne Louise disse...

Rasgue as minhas cartas e não me procure mais, assim, será melhor, meu bem!

Foi o que eu twittei depois de horas de discussão sem rumo.

devaneios tolos disse...

"Parece queo esperado num instante desapareu.."

Lindo isso aqui, menina..Tão intesamente verdadeiro, deu até tristeza.

Flores

Gabriel disse...

Só vc Karolzinha!
Comparar MMA com namoro!
Kkkkkkk Mente brilhante.
Saudades

Anônimo disse...

Muito significativo a autora acabar com amor no primeiro de abril. Hein?!

Sarah disse...

Tem relacionamentos que terminam antes de começar, fazer o que... E outros que terminam sem nunca terminar. A graça toda é não saber, eu acho.

Gosto tanto do seu blog!



Beijo.