Ele não sabia nenhum samba de amor. Cartola, Noel, Nelson Cavaquinho. Nada. Ela fez cara de que assim não ia rolar e foi levantando da cama. Ele a puxou com força, pela cintura, deixando claro de uma vez por todas que ninguém sairá daquela cama, daquele apartamento e deles.
Metallica? Radiohead? Nirvana? Tentou ele. Ela gargalhou. E apesar de ter aprendido a respirar todos os detalhes daquela mulher, as gargalhadas ainda eram um mistério, os sorrisos... sua cachaça. O vestido xadrez e citar “Come as you are” depois que eles brigavam era pura cena, confessou.
Deixou o corpo cair sob o lençol desistindo de combinar as preferências musicais, ela trançava os cabelos e cantarolava “tinha cá pra mim que agora sim eu vivi em fim o grande amor.” Percebeu-se refém do perfume, dos braços e abraços do cara marrento que lhe atropelou de bicicleta há cinco meses.
Do acidente ele ganhou uma cicatriz. Ela esse olhar que matam todos os seus medos e o tom de voz que combina perfeitamente com a acústica do seu quarto. E como quem suspira disse saber viver sem ele, mas não queria. Ele entendeu enquanto beijava seu infinito.

10 comentários:
Como sempre perfeita! Não preciso falar que tocou meu coração!!!
Minha escritora predileta!!! beijos
MEUS PARABÉNS!
Alê
Tá fotografada, Karol (:
escrevi aqui no cantinho: tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim o grande amor, e mandei um beijo por tudo pra Chico.
Flores
É ficção?
Lindo o texto! simplesmente AMEI!
aaaai ADOREI Karolis!
que vontade de ler um livro com o início, meio e fim dessa história!
Brilhante!!!
"E como quem suspira disse saber viver sem ele, mas não queria."
AMO, VC e o TEXTO!!!
Inveja do ciclista
Uma coisa é certa,ambos tem bom gosto musical, de Mestre Cartola a Metálica?sensacional.
Que texto orgásmico, a-d-o-r-e-i.
tocante mesmo...começo a imaginar coisas ^^
ai ai...
de fato, bons gostos musicais...apesar de que isso depende de cada pessoa...o bom gosto...enfim...adorei o texto :)
Apaixonei...
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