Depois de um Fashion Rio fraquinho, quando nem a Maria Bonita Extra deu vontade de vender um rim para comprar a coleção completa. Sinto um marasmo nas vitrines cariocas, entra estação, sai estação e é uma marca fazendo releitura da outra, imitando alguma loja de departamento lá de fora. Aquele festival de mangas bufantes, laços, estampas floridas e blusas de paetês para a night.
É preciso entender a diferença entre indústria da moda e indústria da roupa, do esmalte, do look, dos jabás... Uma coisa não exclui ou critica a outra. A indústria da moda alimenta a indústria da roupa, nossos armários, sapateiras e corações.
Porém, uma coisinha tem que ficar clara, roupa só é moda quando está carregada de cultura, arte e inspiração.
E no meio de tanta reprodução e exibicionismos, o último desfile do SPFW veio me tirar do tédio fashionista com o emocionante desfile do Ronaldo Fraga.
“A moda tem que ter crônica e poesia.”
A primavera-verão 2011/12 do estilista mineiro respondeu a altura ao clássico samba “Com que roupa eu vou?” de Noel Rosa, inspiração para os looks que encerraram a última temporada de moda.
Uma cartela de cores com apenas preto e branco, já conquista, fulminantemente, a Velha Guarda da Vila de fundo também.
Copos americanos vazios e notas musicais estampadas, confetes, muito tule, pierrôs, referências das tradicionais fantasias de marinheiro, bordados suaves e toda a boemia dos anos 20 nas peças de alfaiataria.
E foi assim, no samba, que recuperei minha fé na moda.
2 comentários:
Só assisti até o minuto 4, depois fiquei ouvindo!
Bom post auditivo, mas a qualidade do som está ruim, não entendi o texto.
Essas meninas vão pra rua assim mesmo?
Pq nenhuma usou calça jeans?
"Porém, uma coisinha tem que ficar clara, roupa só é moda quando está carregada de cultura, arte e inspiração."
Falou e disse, gata!
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