segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Da neurótica, com carinho





Rapaz, acho que de vez em quando vou mandar um email perguntando como vai a família, os amigos, a faculdade e as mocinhas que você costuma se apaixonar e alternar.  Será um email de check up de informações, só para ficar tranquila e controlando se você está se transformado em um homem gente boa.  E terminarei o email como quem não quer nada, dizendo que te amei, que ainda te amo e que nunca saberei o que fomos um para o outro, acaso, destino ou um passatempo divertido.

Quem sabe um dia eu envie...

Não agora, agora eu estou tentando deletar você mais uma vez . É que de tempos em tempos falamos umas coisas horríveis de quem se conhece demais e finge que nada importa.  A gente começou assim, o seu medo e minha insegurança brincando de serem amigos e acabamos perdendo a marcação daquele velho samba, que hoje anda nas bocas de qualquer nova conquista, eu não levo a mal em breve será carnaval.

Estou lendo o livro do Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que chamo carinhosamente de meu avô, acho que nunca te falei desse livro. Nunca te falei muita coisa, afinal somos os reis da guerra fria verborrágica e ganha quem dissimular melhor o que sente ou não sente. Bauman diz que ao mesmo tempo em que vivemos em uma sociedade de consumo desenfreada, com prazeres imediatos a cada sábado à noite, precisamos entender que é da natureza do amor ser refém do destino.

Uma amiga liga aos prantos quando o amor a distancia que ela nutriu por um ano fala que ela é uma pessoa muito especial na vida dele e ponto final.  Um primo reclama que está cansado de gastar dinheiro em night  para acordar com burra siliconada que não passaria pelo teste do domingo a tarde conversando. Já eu me diverti com esse último, um príncipe e ficou por um bom tempo, foi real e era curioso observar alguém completamente apaixonado por mim.

Dia desses fui convocada a escrever um manifesto sobre as moças do meu tempo, aquelas que valem à pena. Na boa, cansamos de ser as meninas mais legais que vocês já ficaram, melhores amigas, grandes amantes, inteligentes, “você me faz tão bem”.... Essa angústia de perceber que somos uma geração a espera de uma janelinha piscando ou em uma eterna pista de dança querendo exercer vaidade.

Rapaz, ninguém pode te culpar, mas convenhamos: ninguém pode me culpar também! Não precisa ficar nervoso. Não é você, nunca deixamos que fôssemos nós. É que por muito tempo peguei emprestada sua existência para dar cara à minha espera pelo amor de comédia romântica, alimentando essa confortável falta, essa coisa e esse quase.

Dá para viver sem você, digo, sua presença física. Eu realmente desconfio que seria mais divertido tê-lo por perto, uma vitrola, o amor, beijar, livros, lealdade...  mas eu não mexo com alucinógenos.




Beijo!

Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2012.

2 comentários:

Ariana Luz disse...

leio um pouquinho e lembro detalhes da minha vida. Acho que devo parar de ler.


Linda, sobretudo virginiana.Ai! como a gente entra em cilada, viu?


Flores.

Jéssica Souza disse...

Não permito que saiam por aí usando minha biografia pra escrever texto, cara!rs. Agora sério: já perdi as contas de quantos e-mail já escrevi e quis enviar, mas apaguei. É melhor assim. Acredite em mim. Beijo, menina. ;)