Acordo cantando às sete da manhã. Ô balancê, balancê, quero dançar com você. Para se ter um bom ano é preciso Carnaval, cair no Hully Gully e botar o bloco na rua. Todo mundo já sabe que cachaça não é água, mas substituir por Red Bull é uma ótima alternativa. O Arlequim aceitou os conselhos dos mais de mil palhaços no salão e manda avisar que parou de chorar e a Colombina não vê hora de achar seu Pierrô.
Piratas, freiras e noivas esperam no ponto de ônibus. Mulher-Gato e Wolverine escolhem uma McOferta. Paquitas fazem fila desesperadas para o banheiro químico. A Mulher-Maravilha promete amor eterno ao policial. Branca de Neve depois de esquecer a maçã, chega a Lapa para a saideira. Popeye perde o celular, os amigos e as chaves de casa.
Amigas, não me esperem ou levem a mal, é Carnaval. Eu gosto de ficar perto da bateria, sorrir para o moço da corda e me misturar entre os músicos. É longe da cerveja, mas nada dá mais onda nessa vida do que o som da cuíca.
E quando as escadarias da ALERJ estiverem tomadas pelos fiéis foliões cantando “ô, o Rio é melhor que Salvador”, os olhos vão encher de lágrimas, naturalmente que é melhor, aqui escutamos Braguinha, não tem abadá, mas espero que a notícia não se espalhe muito rápido.
Se fosse Aurora e sincera diria que há muito bloco e pouco samba, que vocês estão transformando o maior baile dos mascarados a céu aberto em micareta, que esses quatro dias não são sobre beijar o maior número de bocas possíveis e que delícia mesmo é escutar Monarco e isso não mata ninguém só ajuda a viver.
Mas quando o coração explodir na maior felicidade em pleno Baixo Gávea, enquanto chove confete e serpentina tudo está entendido e perdoado. O trocador certamente será vigarista da Glória até Botafogo e nada de pagar com traição a quem sempre te deu a mão, afinal, faltam poucos dias para viver a época mais feliz do ano.

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